Entrevista 23/11/2014

Foto: jorge martins

Entrevista com o Comendador Antônio Conti.


Conheça sua luta para ver a Paraty-Cunha pronta.


Entrevista com o Comendador Antonio Conti e sua luta para inaugurar a Paraty-Cunha.

Nascido pelas mãos de parteiras em 1929 na Rua da Praia em Paraty, o Comendador Antônio Conti nutre um profundo amor por sua terra natal e pelas suas causas. Entre elas está a obra mais polêmicas que se tem noticia no Brasil e, sabe lá, até no exterior. Trata-se da Paraty-Cunha, o ex Governador Brizola recuperou a estrada na década de 80, mas novamente a sequencia de acontecimentos inesperados fez com que, faltando menos de oito quilômetros, a obra fosse mais uma vez interrompida e embargada pelo então IBAMA.

- Luto por esta estrada desde 1950, não nego que seja a grande bandeira da minha vida. Acredito que esta obra vai unir as três maiores economias do Brasil, ou seja, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Meu sonho é ter os três governadores na inauguração, diz com emoção o Comendador.

Aos 85 anos bem vividos, Conti anuncia que ainda tem forças para ver esta obra pronta e servindo para o desenvolvimento de Paraty e toda sua população:

- Não sei quais as forças que agem para que esta estrada não se realise, mas afirmo que esses absurdos que alegam para que ela não seja feita, não vão durar para sempre. Não é possível que um animal, seja lá qual for, seja mais importante que a vida de uma mãe e seu filho. Pois é isso que os responsáveis pelos embargos estão dizendo. Estão negando o direito de uma mãe paratiense ter acesso a um hospital do Vale do Paraíba, afirma o emocionado Comendador.

Conti revela que o motivo de lutar pelas questões de Paraty começou quando ao sair da Igreja ao lado da esposa após seu casamento em 1950, percebeu que a cidade estava em piores condições do que quando ele nasceu. Tomou a decisão de ir sensibilizar a classe política para as necessidades de Paraty, usou o Jornal O Fluminense de propriedade do deputado Alberto Torres para publicar sua coluna:

- Precisava chamar atenção de todos para a existência de Paraty. A cidade estava abandonada, parada, sem vida. Era fundamental fazer alguma coisa, disse isso ao Deputado que me abriu as portas do jornal. Minha primeira coluna se chamou: “Amor ao Torrãozinho que me viu nascer, Paraty, sul do Rio de Janeiro”. É bom lembrar que Niterói era capital do Estado do Rio, pois o Rio de Janeiro era capital do Estado da Guanabara, comenta Conti.

Durante a ditadura militar o intrépido Comendador não se conteve, diante da inoperância do Governador Jeremias de Matos Fontes, empossado pela revolução em 1966, resolveu pegar um helicóptero e sobrevoar o Palácio do Ingá, sede do governo, e sobre ele jogar um panfleto com o seguinte texto:

“O Governador Jeremias anda com a Bíblia debaixo do braço e se esquece da passagem em que Jesus diz: - Deixai vir a mim as criancinhas. O Governador prefere: - Afastai de mim as criancinhas de Paraty. Assinado, Antonio Conti”.

O panfleto chegou às mãos de toda a imprensa e o Governador mandou as máquinas para a cidade. Só que mais uma vez, o imprevisto surge:

- Cheguei a Paraty e fui ver como estavam às obras da estrada, montei no meu cavalo e fui até lá. Imagine meu espanto quando vi as máquinas cortando arvores e abrindo espaço no lugar errado, fora do traçado original da estrada. Disse para eles pararem e pedi para ver o engenheiro responsável. Em resumo, eles largaram as máquinas lá e nunca mais voltaram, o nome da empresa que estava fazendo a obra era Cristo Redentor e eu ao voltar a Niteroi escrevi no jornal “Nem a Cristo Redentor consegue fazer a Paraty-Cunha”, narra o Comendador.

Atualmente o Comendador esteve visitando as obras e se deparou com um engenheiro fazendo uma medição num nível mais baixo do que a estrada, Conti perguntou o que era, e a resposta foi que era uma passagem para os bichos:

- Veja você o que é a inversão de prioridades, eu pergunto se a transamazônica tem passagem para bicho e também quero saber se a Rio-Santos tem? Pergunto ainda: Onde estão esses juízes que permitem uma coisa dessas? Será que ninguém pensa nas crianças e nos velhos? Vou propor uma placa: Bicho. Sua passagem é por aqui!

Para o Comendador Antonio Conti a Paraty-Cunha significa Educação, Saúde, Turismo e Comércio:

- Segundo o Presidente Washington Luis, abrir estrada é abrir o Brasil para o progresso. É isso que queremos para Paraty, que tenhamos acesso ao que necessitamos. Nosso progresso começou com a Paraty-Cunha, mesmo na lama e em condições precárias, porque só tínhamos essa saída, comentou Conti.

Sobre as perspectivas futuras, Antonio Conti diz que se for chamado para ser o negociador das questões envolvendo a estrada, aceita imediatamente:

- Amo minha terra, mesmo quando fui corretor de sucesso no Rio, nunca deixei Paraty, me coloco a disposição para continuar trabalhando pelo seu progresso. Quero ver esta estrada pronta e nossos jovens com um futuro bom pela frente, diz Conti emocionado.

Ao final da entrevista Antonio Conti declamou uma poesia baseada em versos de Zé Kleber:

Quando a sonhar

Me vejo na cidade

A bela adormecida ao pé do mar

E bebo à tarde

E sinto a madrugada

A noite que permeia o luar

É sol; é praia; é noite

É Sentimento

São pedras ladrilhando a minha rua

O mar passeia solitário nas calçadas

Espalhando a lua cheia nos beirais e nas sacadas

Vida como é boa para a gente viver

Amo, como é bom a gente amar aqui

Na praça, no cais, na praia

Tudo isso é Paraty.

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